Por: Jânio Santos de Oliveira
Pastor e professor da Igreja evangélica Assembléia de Deus em Santa Cruz da Serra
Pastor Presidente: Eliseu Cadena
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Meus amados e queridos irmãos em Cristo Jesus, a Paz do Senhor!
Série: Superando os desafios no seio familiar
Introdução
1. Quando a família age por conta própria.
2. A predileção dos pais por um dos filhos.
3. Ciúme, o mal que prejudica a família.
4. Os Ídolos na família.
5. O motim em família.
6. Pais zelosos e filhos rebeldes.
7. O relacionamento entre nora e sogra.
8. A importância da paternidade na vida dos filhos.
9. Uma família nada perfeita.
10. Quando os pais sepultam os filhos.
11. Os prejuízos da mentira na família.
12. Criando filhos saudáveis.
1- Quando a família age por conta própria
Vamos abrir a Palavra de Deus que se encontra no Livro do Gênesis 12.1-3; 16.1-5 que nos afirma:
Gênesis 12
1 — Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.
2 — E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção.
3 — E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.
Gênesis 16
1 — Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe gerava filhos, e ele tinha uma serva egípcia, cujo nome era Agar.
2 — E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra, pois, a minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.
3 — Assim, tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar, egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão, seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra de Canaã.
4 — E ele entrou a Agar, e ela concebeu; e, vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos.
5 — Então, disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja sobre ti. Minha serva pus eu em teu regaço; vendo ela, agora, que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos. O Senhor julgue entre mim e ti.
A família é uma instituição divina, a célula-mater da sociedade. Infelizmente temos vivido períodos tenebrosos em que a família vem sendo atacada, por vezes de forma velada e muitas outras, de forma direta. Além dos ataques externos, o cristão deve cuidar para que os conflitos internos como discórdia e desarmonia não interfiram na unidade familiar.
Veremos o que a Palavra de Deus tem a nos ensinar quanto a problemas de comunicação conjugal, ciúmes, rebeldia, porfias, mentira, mágoas e educação de filhos, dentre outros assuntos.
Neste primeiro segmento, focaremos nas atitudes precipitadas de Sarai e Abrão, ao decidirem não esperar o cumprimento da promessa de Deus e agirem por conta própria, “ajudando-O” no cumprimento da promessa. Veremos as consequências de quando deixamos de ouvir a voz de do Senhor para “ouvir” a voz de um coração enganoso.
I. Deus faz promessas a Abrão
1. O encontro de Deus com Abrão. Abrão vinha de uma jornada de conquistas e vitórias pessoais desde que saiu de Ur dos Caldeus e, depois, de Harã (Gn 11.31; 12.1-4). Entretanto, o casal Abrão e Sarai não tinha filhos.
No capítulo 12 de Gênesis, o patriarca tinha 75 anos de idade quando Deus lhe prometeu uma grande descendência (Gn 12.4). No capítulo 15, o Senhor lhe faz uma promessa específica de um herdeiro. E, finalmente, quando Isaque, o filho da promessa, nasceu, o patriarca tinha 100 anos (Gn 21.5). Assim, podemos dizer que Abraão esperou por 25 anos pelo cumprimento da promessa divina.
2. A dúvida diante da espera. Após a promessa de uma descendência (Gn 12), veio uma preocupação a Abrão: “Senhor Jeová, que me hás de dar? Pois ando sem filhos, e o mordomo da minha casa é o damasceno Eliézer” (Gn 15.2). Esse questionamento revela que sua fé estava em crise. Abrão não conseguia ver a realização do sonho do casal, uma vez que Sarai era estéril. Não é diferente conosco também. Às vezes somos bloqueados por dúvidas que nos impedem de, pela fé, enxergar a operação do sobrenatural.
3. Deus garante a Abrão o cumprimento da promessa. Como vimos, Gênesis 15.4 traz a promessa de um filho. No versículo 7, o Senhor diz: “Eu sou o Senhor” (Gn 15.7). De modo que Ele desfez a preocupação do patriarca, especificando uma promessa: “Este não será o teu herdeiro [Ismael]; mas aquele que de ti será gerado, esse será o teu herdeiro [Isaque]” (Gn 15.4). Aqui, Deus está afirmando a Abrão que suas promessas têm base no próprio caráter, pois Ele não é homem para mentir, nem filho do homem para se arrepender; “porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?” (Nm 23.19). Deus cumpre fielmente a sua Palavra (Sl 89.34). Infelizmente, porém, Abrão vacilaria na fé e não transmitiria a Sarai confiança na promessa (Gn 16.2,3).
II. A interferência no plano de Deus
1. A tentativa de Sarai em “ajudar” a Deus. Pelo processo natural, Sarai não podia gerar filhos por causa de sua esterilidade e, naquele contexto, ela estava ainda com a idade avançada. Por isso, Sarai persuadiu Abrão de que a melhor forma de ele ter um herdeiro seria tomar a serva egípcia Agar e com ela conceber um filho (Gn 16.2). Naquele tempo era permitido fazer isso para que um homem tivesse um herdeiro. Essa tentativa de “ajudar a Deus” no cumprimento da promessa de um filho foi uma atitude precipitada de Abrão. Na vida conjugal, é importante que o casal crente consulte a Deus em tudo. Nesse sentido, Abrão deveria convencer sua mulher a esperar em Deus, pois Ele cumpre a sua Palavra (1Rs 8.56).
2. Os dois vacilam na fé. No capítulo 15, Abrão é um homem de fé. Porém, no capítulo 16, a situação muda completamente porque ele preferiu ouvir a voz de sua mulher, conforme Gênesis 16.2: “E ouviu Abrão a voz de Sarai”. A verdade é que, diante da reclamação de sua esposa, Abrão aquietou-se e preferiu aceitar o argumento dela e não acreditar no milagre de ambos gerarem um filho conforme a promessa. Os dois deixaram a lógica da fé e se apegaram à lógica meramente humana. Devemos cuidar para não interferir nos desígnios de Deus, pois isso pode significar o desvio da vontade divina. Não podemos, por causa de uma decisão precipitada, querer intervir no plano original divino.
3. O problema da precipitação. Sarai abandonou e desprezou a confiança em Deus, preferindo resolver o problema ao seu modo, além de induzir seu marido à mesma atitude equivocada e incrédula. Ao afastar-se da dependência de Deus, o casal não conseguiu evitar as consequências desastrosas para sua vida (Gn 16.5-9). Agar engravidou e teve o filho que Abraão sonhava ter, mas provocou o conflito familiar histórico entre Abrão e Sarai, entre Sarai e Agar e, posteriormente, entre os filhos de ambas, Ismael e Isaque. Muitos conflitos são gerados nos lares por causa de atitudes precipitadas da parte dos cônjuges. A consequência dessa precipitação de Abrão permanece até hoje, com as sementes de Ismael e Isaque, ou seja, judeus e árabes.
A esposa substituta
“O tempo passou e Sarai continuava sem filhos. Deus não prometeu que o filho sairia dela [Agar] (15.4) e o problema de uma promessa não cumprida permanecia. Na opinião de Sarai, a resposta era o costume da pátria de onde vieram. Este costume dizia que a esposa sem filhos tem de oferecer ao marido uma criada para servir no lugar dela. A descendência seria considerada sua. Sarai tinha uma serva egípcia chamada Agar, que ela ofereceu a Abrão. Abrão aceitou a oferta e pouco tempo depois Agar teve um filho.
Emoções profundas e intensas no coração de cada participante estavam emaranhadas com o problema de interpretar uma promessa divina por meio de providências legais. Agar ficou arrogante com sua senhora, e Sarai ficou amarga e abusiva. Indo ao marido, ela o acusou de privá-la dos direitos básicos de esposa e exigiu que tomasse uma atitude.
Era contrário ao costume da pátria de onde vieram as esposas servas mostrarem desrespeito à esposa principal. Abrão recusou punir Agar, mas permitiu que Sarai agisse como quisesse”
III. As consequências de uma decisão precipitada
1. O conflito na família de Abrão. A precipitação do casal acabou criando o conflito entre Abrão e Sarai, provocado pela nova situação a que se submeteu Agar. Discórdia e desarmonia suscitaram uma situação insustentável dentro desse lar. Agar, sentindo-se privilegiada dentro da casa de Abrão, visto que ele estava dando atenções especiais para com ela por causa do seu filho em seu ventre, provocou ciúmes em Sarai. Esta, então, começou a hostilizar sua serva (Gn 16.4-6). Essa situação ficou bem difícil dentro da casa do patriarca.
2. A fraqueza de Abrão. Depois de toda a experiência com Deus e de ouvir as suas promessas divinas para a vida pessoal e familiar, Abrão optou pela fraqueza e carnalidade. Não teve firmeza para persuadir Sarai, diante do conselho de ter esse filho com Agar, a confiar em Deus e em suas promessas (Gn 16.6). Essa história nos ensina que não podemos apenas olhar para as soluções humanas. Há momentos em nossa vida que só a mão de Deus pode operar. Tenhamos sensibilidade espiritual para discernir o que está sob nossa responsabilidade e o que só depende única e exclusivamente de Deus ( Êx 14.15-18).
3. Uma opinião equivocada acerca de Deus. Quando Sarai diz a Abrão que “o Senhor me tem impedido de gerar” parecia estar afirmando que Deus havia falhado com ela para gerar filhos (Gn 16.2). Ela afastou-se do lugar de absoluta dependência de Deus e preferiu decidir por si mesma, usando Agar como meio para o cumprimento da divina promessa. Seu coração carnal fez com que ela desprezasse a fé. Nesse sentido, a fraqueza de Abrão não foi tanto a de não agir sabiamente com Sarai quanto a convencê-la a acreditar no milagre de Deus em sua vida. Sua esposa precisava de uma experiência com Deus capaz de dar-lhe o conhecimento suficiente para entender que seu marido tinha razão no que dizia. Portanto, é preciso atentar para uma preciosa lição: os homens de Deus têm um papel de mentores espirituais em suas casas e, por isso, não podem deixar de governá-la com sabedoria (cf. 1Tm 3.5,6).
As consequências da união de Abrão com Agar
“Aqui temos as más consequências imediatas do infeliz casamento de Abrão com Agar. Um grande mal se produz rapidamente. Quando nós não agimos bem, o pecado e os problemas estão à porta. E podemos agradecer a nós mesmos pela culpa e pela tristeza que nos acompanham quando saímos do caminho do nosso dever. Veja isto nesta história.
I — Sarai é desprezada, e, desta maneira, sente-se provocada e se irrita, v.4.
Tão logo, Agar percebe estar grávida de um filho do seu senhor, passa a considerar a sua senhora com desprezo, talvez criticando-a pela sua esterilidade, insultando-a, para irritá-la (como em 1Sm 1.6). Ela estava se gabando das perspectivas que tinha de trazer um herdeiro a Abrão, para aquela boa terra, e para o cumprimento da promessa. Agora ela se julga uma mulher melhor do que Sarai, mais favorecida pelo Céu, e com probabilidade de ser mais amada por Abrão. E por isso já não é mais submissa como costumava ser.
Observe: 1. Os espíritos [pessoas] inferiores e servis, quando favorecidos e promovidos, seja por Deus ou pelo homem, podem se tornar arrogantes e insolentes, e esquecer seu lugar e origem. Veja Provérbios 29.21; 30.21-23. É difícil atribuir a honra àqueles que realmente devem ser honrados.
2. Nós sofremos, com razão, por causa daqueles a quem agradamos de maneira pecaminosa. E é justo que Deus converta em instrumentos de nossa aflição aqueles aos quais tornamos instrumentos do nosso pecado, e que nos aprisione nos nossos próprios maus conselhos: o que revolve a pedra, esta sobre ele rolará
Esta lição nos ensina a respeito das promessas de Deus para a vida do crente. Entretanto, ela alerta para o perigo de nos precipitarmos com interferências no cumprimento dessas promessas. Vimos que esse tipo de atitude trouxe consequências graves para a família de Abrão. Que Deus nos livre de tentarmos interferir em seus planos, pois sabemos que sua vontade é boa, agradável e perfeita (Rm 12.2).
Os homens de Deus têm um papel de mentores espirituais em suas casas e, por isso, não podemos deixar de governá-la com sabedoria (1Tm 3.5,6).
· Quando a família age por conta própria
Nós vamos aprender a partir do exemplo de Abrão e Sarai, que as decisões sobre assuntos que envolvem o bem-estar da família não podem ser tomadas no calor da emoção.
A precipitação do casal no tocante à espera pelo cumprimento da promessa divina com relação a quem seria o herdeiro de Abraão trouxe graves problemas para toda a família. Quando o ser humano se precipita a respeito dos planos de Deus, as consequências são desastrosas.
A decisão de trazer a serva Agar ao seio familiar na intenção de atender a uma necessidade patriarcal, sobre a qual Deus já havia prometido solucionar, expressava alguns sinais de incredulidade e infidelidade para com providência divina. Em consequência, emoções profundas e intensas no coração de cada participante estavam emaranhadas com o problema de interpretar uma promessa divina por meio de providências legais. Agar (v.4) ficou arrogante com sua senhora, e Sarai ficou amarga e abusiva (v.5). Indo ao marido, ela o acusou de privá-la dos direitos básicos de esposa e exigiu que tomasse uma atitude.
O embrolho familiar agravou a compreensão sobre os planos de Deus. Nesse sentido, em primeiro lugar, é importante entender que o Senhor tem Seus próprios caminhos para cumprir Seus desígnios (Pv 16.4). Muitas vezes, essa forma de Deus trabalhar é completamente complexa e nebulosa à compreensão humana (1Co 2.14). Diga-se de passagem, o silêncio de Deus nessas ocasiões é uma forma de provar a fé de seus servos que receberam a promessa (Sl 83.1).
Em segundo lugar, é também importante destacar que as promessas de Deus aos Seus servos não têm como objetivo principal atender às suas necessidades materiais ou emocionais. Antes, a ideia central imbuída nas promessas divinas implica em tornar o nome do Senhor conhecido e glorificado entre os homens. Persigamos o desfrutar das promessas de Deus, sabendo que o tempo e os propósitos de Deus são melhores do que os nossos.
A proxima: A predileção dos pais por um dos filhos
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