Por: Jânio Santos de Oliveira
Pastor e professor da Igreja evangélica Assembléia de Deus em Santa Cruz da Serra
Pastor Presidente: Eliseu Cadena
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Meus amados e queridos irmãos em Cristo Jesus, a Paz do Senhor!
Série: Superando os desafios no seio familiar
Introdução
1. Quando a família age por conta própria.
2. A predileção dos pais por um dos filhos.
3. Ciúme, o mal que prejudica a família.
4. Os Ídolos na família.
5. O motim em família.
6. Pais zelosos e filhos rebeldes.
7. O relacionamento entre nora e sogra.
8. A importância da paternidade na vida dos filhos.
9. Uma família nada perfeita.
10. Quando os pais sepultam os filhos.
11. Os prejuízos da mentira na família.
12. Criando filhos saudáveis.
A importância da
paternidade na vida dos filhos
1 Samuel 2.12-17,22;
8.1-3.
1 Samuel 2
12 — Eram, porém, os
filhos de Eli filhos de Belial e não conheciam o Senhor;
13 — porquanto o
costume daqueles sacerdotes com o povo era que, oferecendo alguém algum
sacrifício, vinha o moço do sacerdote, estando-se cozendo a carne, com um garfo
de três dentes em sua mão;
14 — e dava com ele, na
caldeira, ou na panela, ou no caldeirão, ou na marmita; e tudo quanto o garfo
tirava o sacerdote tomava para si; assim faziam a todo o Israel que ia ali a
Siló.
15 — Também, antes de
queimarem a gordura, vinha o moço do sacerdote e dizia ao homem que
sacrificava: Dá essa carne para assar ao sacerdote, porque não tomará de ti
carne cozida, senão crua.
16 — E, dizendo-lhe o
homem: Queimem primeiro a gordura de hoje, e depois toma para ti quanto desejar
a tua alma, então, ele lhe dizia: Não, agora a hás de dar; e, se não, por força
a tomarei.
17 — Era, pois, muito
grande o pecado desses jovens perante o Senhor, porquanto os homens desprezavam
a oferta do Senhor.
22 — Era, porém, Eli já
muito velho e ouvia tudo quanto seus filhos faziam a todo o Israel e de como se
deitavam com as mulheres que em bandos se ajuntavam à porta da tenda da
congregação.
1 Samuel 8
1 — E sucedeu que,
tendo Samuel envelhecido, constituiu a seus filhos por juízes sobre Israel.
2 — E era o nome do seu
filho primogênito Joel, e o nome do seu segundo, Abias; e foram juízes em
Berseba.
3 — Porém seus filhos
não andaram pelos caminhos dele; antes, se inclinaram à avareza, e tomaram
presentes, e perverteram o juízo.
VIII. importância da paternidade na vida dos filhos.
Nesta lmatéria,
focaremos duas famílias que tiveram problemas na formação de seus filhos. Na
família de Eli, seus filhos Hofni e Fineias, sob a conduta negligente de seu
pai, tornaram-se profanos no exercício do sacerdócio. Na família de Samuel,
seus filhos Joel e Abias tornaram-se avarentos e gananciosos, não tendo
respeito pelo que representavam para Israel. A lição mostrará que os pais são
os responsáveis pela boa formação moral e espiritual dos filhos, antes da
igreja local e das instituições educativas.
I. A paternidade dentro
da família
1.
A primeira família.
Após a Queda, o primeiro casal criado, Adão e
Eva, inicialmente gerou dois filhos, formando, assim, a primeira família (Gn
4.1,2). No princípio da humanidade, a figura do pai definia-se como o líder
dentro do lar, responsável por prover alimento e cuidar da segurança de sua
família. O papel da mulher era o de cuidar dos filhos, da casa e ser a
ajudadora de seu esposo. No caso de alguns sacerdotes, o exercício sacerdotal
passava a ser mais importante do que a criação dos filhos. Eli e Samuel, a
despeito da vida ilibada perante Deus e o povo, foram displicentes com a sua
própria família, principalmente, com seus os filhos.
2.
A falta de autoridade
no lar.
Os sacerdotes Eli e
Samuel eram homens que exerciam autoridade no serviço sacerdotal, mas foram
descuidados com relação à autoridade no lar. No contexto atual, a história se
repete. Muitos obreiros cuidam bem das coisas espirituais e proveem as suas
famílias, mas falham com suas responsabilidades a respeito da criação dos
filhos. Esse desempenho negativo tem produzido inconsoláveis decepções dos
filhos com seus pais. É possível imaginar dois sacerdotes que ministravam em
Israel no Tabernáculo, mas seus filhos tornaram-se profanos e enganosos perante
toda a congregação de Israel (1Sm 2.12; 8.13)? Infelizmente, somente seus pais
não percebiam que seus filhos apresentavam problemas de ordem moral e
espiritual. Os velhos sacerdotes exerciam autoridade em todo o Israel, mas não
a exerciam dentro de casa, porque os filhos os enganavam.
3.
Os problemas de uma
paternidade ausente.
Na vida
da família, os pais são os responsáveis pela formação moral e espiritual dos
filhos. O modo como os filhos são educados se revela nos seus padrões de
comportamento quando se tornam adultos. Especialistas atestam que a presença da
figura paterna é muito importante para o desenvolvimento do indivíduo. Ela
oferece uma espécie de sustentáculo afetivo. Nesse sentido, a ausência da
figura do pai é um problema grave para a família. Há estudos que mostram o
impacto da ausência paterna na formação dos filhos. O pai cristão é uma
referência de segurança para eles, de equilíbrio, controle das emoções e de
estabelecimento de prioridades para a vida (1Tm 3.4). Além disso, de modo
geral, os pais transmitem aos filhos valores quanto à bondade, à gentileza, o
falar correto, dentre muitos outros. Infelizmente, quando isso é negligenciado,
o resultado pode ser desastroso. No caso dos sacerdotes em questão, eles não
dispensavam tempo para os filhos que se tornaram rebeldes e profanos.
A paternidade é uma
função que proporciona um sustentáculo afetivo importante para o desenvolvimento
da criança.
· Os filhos dos sacerdotes.
“Os filhos maus de Eli (2Sm 2.12-17). Hofni e
Fineias são descritos como filhos de belial e não conheciam ao Senhor […]. Nas
Escrituras ‘conhecer’ ou ‘não conhecer’ o Senhor normalmente se refere a um
conhecimento pessoal de Deus em adoração e obediência. Os hebreus não
consideravam o conhecimento primeiramente como algo intelectual, mas sim como
algo completamente pessoal. O termo usado significava ‘ter proximidade de’, em
vez de simplesmente ‘conhecer’. Mesmo treinados no ritual e nas cerimônias do
Antigo Testamento e, sem dúvida, familiarizados com as exigências da lei, esses
dois jovens eram maldosos e inescrupulosos em caráter pessoal.
A passagem [de 1 Samuel
8.1-3] sugere que Samuel associou seus filhos consigo mesmo devido à sua
própria idade avançada. Os seus próprios nomes expressavam a devoção que havia
no coração de Samuel: Joel significa ‘O Senhor é Deus’, e a Abias quer dizer ‘O
Senhor é Pai’. Infelizmente eles não corresponderam à esperança que seus nomes
expressavam. Uma ironia semelhança entre os últimos anos de Samuel e de Eli
está descrita no versículo 3. Nos dois casos, os filhos em quem se confiava
provaram ser desleais” .
II. Os tipos de
paternidade extremista
Não existe um padrão duplo quanto às regras
morais dentro da família. O padrão ético é um só e a ética cristã orienta os
pais quanto aos cuidados que devem ter na criação dos filhos. Há, pelo menos,
dois tipos de paternidade que devem ser evitados e corrigidos.
1.
A paternidade
autoritária.
O pai autoritário trata os filhos como se
fossem elementos neutros, sem sentimentos, sem memória e sem vontade.
Geralmente, a paternidade autoritária é aquela que tão somente dá ordens aos
filhos. Esse tipo de autoridade de imposição sabe apenas manipular os filhos e
exigir deles comportamentos forçados. Os filhos obedecem por medo, culpa,
remorso e rancor. O zelo extremo de certos pais os tem feito perder seus
filhos, que se desviam e, infelizmente, alguns nunca mais voltam à igreja e, consequentemente,
desviam-se da presença do Senhor. Esses pais precisam ouvir e praticar a
Palavra de Deus que diz: “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos,
mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6.4).
2.
A paternidade
permissiva.
Quando o pai não se
importa com os princípios bíblicos e deixa à mercê dos filhos a liberdade para
decidirem sobre o que quiserem, o fim será calamitoso. Essa paternidade, ou até
mesmo a maternidade, é um tipo de tolerância sem freio algum, que induz a criança
até a imaginar que seus pais não as amam e nem se importam com suas
necessidades emocionais e físicas. Ora, o pai permissivo é aquele que entende
que os filhos devem tê-los como exemplo, mas não os corrigem quando cometem
erros e nem os aconselham quando se decepcionam com situações mais complexas na
vida. O sábio Salomão adverte-nos: “Visto como se não executa logo o juízo
sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente
disposto para praticar o mal” (Ec 8.11).
Os dois tipos de
paternidade são negativos e prejudiciais ao bem-estar da família. A falta de
uma paternidade segura, presente e responsável produz uma família infeliz.
3.
Eli criou filhos que se
tornaram profanos.
O texto bíblico diz:
“Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial” (1Sm 2.12). A palavra “belial”
é um termo um pouco obscuro, mas o hebraico tem na palavra beliya-al, cujo
prefixo bel e o seu sufixo ya’al podem significar “sem proveito, imprestável,
inútil”. Pode também significar “perversão ou ser pervertido”, e os filhos de
Eli foram homens pervertidos e irreverentes, que não respeitavam as coisas
sagradas do Tabernáculo (1Sm 2.13-17). É lamentável um pai que tinha uma
posição especial de representação de Deus perante Israel, tornar-se um pai
relapso com a família.
A paternidade
autoritária e a permissiva são prejudiciais à família.
· A falta de disciplina prejudica os filhos.
A lei estipulava que as
necessidades de todos os levitas deveriam ser supridas através dos dízimos do
povo (Nm 18.20-24; Js 13.14,33). Os filhos de Eli abusavam de sua posição de
sacerdotes para satisfazer sua ganância pelo poder, posses e controle. Seu
desprezo e arrogância tanto para o povo como para adoração enfraqueceram a
integridade de todo o sacerdócio.
Eli sabia que seus
filhos eram maus, mas pouco fez para corrigi-los ou impedi-los, mesmo quando a
integridade do santuário de Deus fora ameaçada. Como sumo sacerdote, Eli
deveria ter respondido mediante a correção dos seus filhos (Nm 15.22-31). Não
admira que ele tenha preferido não confrontar a situação. Mas ao ignorar suas
ações egoístas, Eli permitiu que seus filhos arruinassem suas próprias vidas e
as de muitos outros. Existem momentos quando os problemas difíceis devem ser
confrontados, ainda que o processo e as consequências sejam dolorosos.
III. O fracasso de dois
pais relapsos com os filhos
1.
Omissos para com os
filhos.
O texto de 1 Samuel
2.12 diz: “Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial e não conheciam ao
Senhor”. Imaginem um homem dedicado ao ministério sacerdotal por mais de 40
anos, que tinha uma família constituída de, pelo menos, dois filhos, os quais,
convivendo com os trabalhos sacerdotais do pai, “não conheciam ao Senhor”. No
caso de Samuel não foi muito diferente, seus filhos não tinham nenhuma
disciplina, tornaram-se avarentos e profanos. Quando foi confrontado a respeito
do mau procedimento de seus filhos, que foram rejeitados pelos anciãos do povo,
e mesmo sendo muito respeitado por todos, Samuel sentiu-se também rejeitado
(1Sm 8.5,7).
A filosofia de alguns
líderes cristãos, de que a ordem das coisas começa com o ministério e depois a
família, é equivocada. A prioridade dos obreiros cristãos, antes do ministério,
começa com a sua própria casa. o apóstolo Paulo destacou que para que alguém
“deseje o episcopado”, deve, entre outros princípios, “governar bem a sua
própria casa e ter os filhos em sujeição” (1Tm 3.4). É preciso ensinar a
disciplina para seus filhos, mas para isso é preciso estar presente na vida
deles. Não há disciplina familiar sem a presença dos pais.
2.
A isenção de
responsabilidade de Eli e Samuel para com seus filhos.
Sem que esses
sacerdotes exercessem autoridade em casa, seus filhos se tornaram vulneráveis,
frágeis e propensos às fraquezas da carne. Deus espera que os líderes de igreja
na atualidade exerçam sua liderança em casa. Eli e Samuel se isentaram da
responsabilidade para com seus filhos. Da mesma forma, no ministério, o obreiro
deve ser um pai que cuida, principalmente, da própria família (1Tm 5.8).
3.
Tratamento inadequado.
Esta matéria,
inevitavelmente, não pode fugir do assunto que envolve a relação pública dos
líderes da igreja com seus filhos no ambiente eclesiástico. Não se pode esperar
que os filhos de líderes sejam punidos ou beneficiados por causa de sua
filiação. Há uma pressão natural com a família do pastor por causa da natureza
pública de sua função. Entretanto, seus filhos, antes de tudo, são filhos como
outros filhos. São crianças, adolescentes, jovens e adultos que precisam de
cuidados pastorais e espirituais. Infelizmente, quando não se tem um tratamento
sábio com os filhos de obreiros, alguns problemas podem surgir, pois muitos
deles se revoltam, rebelam-se, não se submetem à liderança como forma de
rejeição a esse tratamento. O modelo bíblico de tratamento adequado passa pelo
respeito e admoestação (Ef 6.1-4).
Todo pai cristão deve
zelar por sua família com dedicação e responsabilidade.
Os pais são exortados a
ensinar os filhos, conversando com eles e orientando-os para a vida. O líder
que tem consciência de que seu ministério começa na sua casa, será abençoado, e
colherá frutos por ter uma família que serve ao Senhor. Os extremos precisam
ser evitados e os filhos precisam da repreensão que deve ser feita com amor e
cuidado. Deus espera que os pais estejam presentes na formação de seus filhos.
· A importância da paternidade na vida dos filhos
Os filhos dos sacerdotes Eli e Samuel são
descritos na Bíblia como exemplos de profanação espiritual, avareza e ganância.
Há um completo paradoxo nessas famílias, haja vista que os pais eram sacerdotes
reconhecidos e respeitados em Israel. Entretanto, foram irresponsáveis quanto à
boa formação moral e espiritual de seus filhos. Naquele tempo, o papel de cada
integrante da família era bem definido. Mas apenas ter ciência da responsabilidade
não atendia às demandas familiares. Os pais deveriam estar envolvidos
integralmente com a criação dos filhos. Não se tratava de apenas cumprir um
papel, e sim de desenvolver relacionamentos sadios com vista ao bem-estar
material, emocional e espiritual de toda a família. Apesar de serem
extremamente dedicados ao serviço no Tabernáculo, não investiam tempo com suas
respectivas famílias. Os filhos de pais que exercem o ministério muitas vezes
são pressionados e destratados injustamente. Por essa razão, a educação dos
filhos e o tratamento adequado nos ambientes eclesiásticos requer amor, cuidado
e paciência para que eles alcancem vida cristã sadia.
A formação do caráter
de qualquer indivíduo recebe influência direta das referências. É comum que crianças
observem e imitem comportamentos dos pais: a forma como falam, se posicionam ou
se locomovem, o jeito de se expressar, até mesmo condutas negativas. Warren e
Howard discorrem que “a melhor forma de evitar conflitos é ser sempre a mesma
pessoa o tempo todo. Um lar e uma igreja feliz precisam dos mesmos
ingredientes: amor, disciplina, sacrifício, a Palavra e oração. Devemos
demonstrar na igreja o mesmo amor que demonstramos e casa e sertão
disciplinados em casa como o somos na igreja. É quando separamos a vida
doméstica da vida na igreja que nos metemos em confusão. Um pastor deve ser
íntegro, não um ator que muda o personagem a cada instante. Não há lugar para
dissimulações no ministério — uma outra palavra para isso é hipocrisia”.
No lar cristão, o pai é referência para eles
de segurança, equilíbrio, controle das emoções e estabelecimento de prioridades
para vida. De modo geral, os pais ensinam aos filhos quanto à bondade, à
gentiliza, o falar correto, dentre outros aprendizados. Infelizmente, se isso é
negligenciado, o resultado pode ser desastroso. Mas a Palavra de Deus oferece a
orientação que os pais precisam.
Próxima matéria: Uma família nada perfeita
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