quarta-feira, 15 de julho de 2026

Série: Superando os desafios no seio familiar (12)

 Por: Jânio Santos de Oliveira

Pastor e professor da Igreja evangélica Assembléia de Deus em Santa Cruz da Serra

 Pastor Presidente: Eliseu Cadena

Contatos 0+operadora (Zap)21 987704458

Email ojaniosantosdeoliveira@gmai.com

Meus amados e queridos irmãos em Cristo Jesus, a Paz do Senhor!


 


 

Série: Superando os desafios no seio familiar

Introdução

1.    Quando a família age por conta própria.

2.    A predileção dos pais por um dos filhos.

3.    Ciúme, o mal que prejudica a família.

4.    Os Ídolos na família.

5.    O motim em família.

6.    Pais zelosos e filhos rebeldes.

7.    O relacionamento entre nora e sogra.

8.    A importância da paternidade na vida dos filhos.

9.    Uma família nada perfeita.

10.                      Quando os pais sepultam os filhos.

11.                      Os prejuízos da mentira na família.

12.                      Criando filhos saudáveis.

 Criando filhos saudáveis

Lucas 2.40,42-52.

40 — E o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele.

42 — E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo costume do dia da festa.

43 — E, regressando eles, terminados aqueles dias, ficou o menino Jesus em Jerusalém, e não o souberam seus pais.

44 — Pensando, porém, ele que viria de companhia pelo caminho, andaram caminho de um dia e procuraram-no entre os parentes e conhecidos.

45 — E, como o não encontrassem, voltaram a Jerusalém em busca dele.

46 — E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os.

47 — E todos os que o ouviam admiravam a sua inteligência e respostas.

48 — E, quando o viram, maravilharam-se, e disse-lhe sua mãe: Filho, por que fizeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu, ansiosos, te procurávamos.

49 — E ele lhes disse: Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?

50 — E eles não compreenderam as palavras que lhes dizia.

51 — E desceu com eles, e foi para Nazaré, e era-lhe sujeito. E sua mãe guardava no coração todas essas coisas.

52 — E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens.

 

O Senhor Jesus nasceu numa família normal. Ele teve como pai, José, e como mãe, Maria. Deus falou em sonhos com José a respeito da concepção virginal de Maria por meio da obra do Espírito Santo. Por isso, ele se tornou o pai adotivo de Jesus. A criança concebida no ventre de Maria era de fato “O Verbo [que] se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14).

Estudaremos o desenvolvimento de Jesus dentro da família de José e Maria, seus pais. Nosso propósito é extrair lições da casa de nosso Senhor que nos auxiliem nos desafios familiares atuais.

 

1. Dados gerais da família. José e Maria eram descendentes da família real de Davi (Lc 2.4,5), da raiz de Jessé (Is 11.1). O casamento deles aconteceu depois que o anjo do Senhor revelou a José que sua noiva estava grávida e o filho do seu ventre fora gerado pelo Espírito Santo (Mt 1.18-25). Posteriormente, José só se relacionou sexualmente com Maria após o nascimento de Jesus. Podemos inferir isso a partir do relato do evangelista Mateus: “e José, despertando do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher, e não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe o nome de Jesus” (Mt 1.24,25).

 

2. Os filhos de José e Maria, depois de Jesus. Jesus foi o filho primogênito de José e Maria (Lc 2.7). A Bíblia registra que os pais dEle tiveram outros filhos mais adiante: Tiago, José, Judas, Simão e, pelo menos, mais de uma irmã (Mc 6.3). Seus irmãos não o aceitavam como Messias e, por isso, o rejeitavam (Jo 7.1-5). Somente depois de sua ressurreição, seus irmãos o aceitaram e o receberam. Tiago, talvez o mais incrédulo deles, tornou-se um seguidor de Cristo e, mesmo não sendo um dos apóstolos, tornou-se o líder principal da igreja em Jerusalém (1Co 15.7).

Jesus cresceu em uma família normal e viveu como qualquer criança em Israel.

II. O modo de criação de Jesus

 

1.    Jesus, o filho especial.

A despeito de Jesus ter sido especial, José e Maria nunca trataram os demais filhos com desprezo. Eles sabiam que havia algo especial na vida do primogênito, pois lhes fora revelado que Ele seria o Salvador, o Filho de Deus (Lc 1.35). Nesse sentido, José e Maria souberam administrar essa diferença, sem diminuir os outros irmãos. Conheceremos melhor a maneira como nosso Senhor se desenvolveu, segundo a sua humanidade, analisando as fases de sua vida: a infância, a adolescência e a juventude.

 

2.    A infância de Jesus.

Após nascer em Belém da Judeia (Lc 2.4,7; Mq 5.1,2), nosso Senhor foi colocado num cocho para ração aos animais; não se tratava de objeto de um palácio real, pois seus pais não tinham uma alternativa. Depois de oito dias, José e Maria levaram o menino para a circuncisão e lhe deram o nome de Jesus (2.21). Todo o tratamento que Jesus recebeu foi semelhante ao dos outros meninos nascidos em Israel. Nosso Senhor teve uma infância como a de qualquer menino da Judeia. Ele cresceu e desenvolveu-se sob os cuidados de seus pais. Quanto à alimentação, proteção, saúde mental e física, e principalmente, a vida espiritual, Ele precisava dos cuidados de seus pais. Nosso Senhor teve de deixar a sua terra provisoriamente, tendo de ir para o Egito para escapar do Rei Herodes (Mt 2.13,14). Até que, mais tarde, juntamente com seus pais, Ele voltou para a terra de Israel (Mt 2.20,21).

 

3.    A adolescência de Jesus.

No Evangelho de Lucas, o texto bíblico declara que Jesus havia crescido em estatura, sabedoria e graça diante de Deus e dos homens (Lc 2.52). Na Bíblia, a informação que temos a respeito da adolescência de Jesus foi sua experiência aos 12 anos, em Jerusalém, com os doutores da lei (Lc 2.46). Nessa idade, o menino judeu é introduzido na vida religiosa e se torna um “filho da lei” (hb. barmitzvah). A ida de Jesus à Jerusalém com sua família se deu por causa da observância dos deveres religiosos, como participar das três festas mais importantes de Israel: a Páscoa, o Pentecostes e a Festa dos Tabernáculos (Êx 23.14-17; 34.23; Dt 16.16). Toda a celebração dura sete dias e, depois, todos voltavam para as suas cidades. Os pais de nosso Senhor não imaginaram que Jesus ficaria para trás. Depois de três dias, eles o encontraram no interior do Templo conversando e discutindo com os doutores da Lei. Estes, por sua vez, estavam maravilhados com a sabedoria daquele adolescente.

 

4.    A juventude de Jesus.

Dos 12 aos 30 anos de idade, a adolescência e a juventude de Jesus são praticamente desconhecidas. As únicas informações que a história nos fornece são as que estão reveladas nos Evangelhos. Depois da experiência com os doutores da Lei em Jerusalém, a Bíblia relata apenas que Jesus voltou a aparecer quando já tinha 30 anos, ao ser batizado por João Batista no rio Jordão. Tudo o que se tem de conhecimento acerca desses anos ocultos da vida de Jesus é que Ele aprendeu a profissão de carpinteiro com José e a exerceu até os 30 anos, visto que José já havia morrido (Mc 6.3). É possível que Jesus tenha sido o responsável pelo sustento da família por esses anos, e quando chegou a idade que o Pai estabeleceu para iniciar seu ministério, Ele deixou tudo e reuniu os discípulos, os quais se tornaram os apóstolos que fariam o seu Evangelho conhecido.

A criação de Jesus passou pela sua infância, adolescência e juventude.

 

·       Formando a imaginação da criança.

 

 Proporcionar uma educação cristã pela imaginação é uma bênção para os nossos filhos. Na fase da infância isso faz muita diferença, pois essa experiência acompanhará a criança na fase da adolescência, da juventude e da fase adulta. Por isso, reproduzimos aqui uma proposta do dr. John Trent. Trinta minutos diários são suficientes para você e seus alunos trabalharem a imaginação de seus filhos numa perspectiva cristã: “Em algum momento durante os maravilhosos dias da infância, faça questão de ler a coleção completa de As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis, com o seu filho ou sua filha. Esses livros são ótimos para a leitura em voz alta na hora de dormir e podem levar semanas até serem concluídos. De bônus, entretanto, deixe que sua filha ou seu filho atue como um dos grandes personagens da série. Certifique-se de que escolham um dos personagens que permanecem fiéis do começo ao fim das histórias. Lucy é uma boa opção para as meninas, e Peter é uma boa opção para os meninos. Ao ler, simplesmente substitua o nome do personagem com o nome de seu filho ou sua filha. Seus filhos terão uma empolgação extra ao imaginarem-se como herói ou heroína. Além disso, a experiência vai expor sua criança a um dos mais renomados pensadores e teólogos da história”.

III. O tríplice desenvolvimento de Jesus

O Evangelho de Lucas 2.51,52 diz o seguinte: “E desceu com eles, e foi para Nazaré, e era-lhes sujeito. E sua mãe guardava no coração todas as essas coisas. E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens”.

 

1.    Jesus crescia em sabedoria.

Jesus recebeu uma educação básica que qualquer menino judeu receberia. Ele aprendeu a ler e a escrever, viveu uma vida simples, pois sua família era pobre. Nosso Senhor crescia em sabedoria, ou seja, sua relação com o Pai, seus princípios de vida e disposição em resolver problemas eram dignos de uma pessoa sábia. Certamente, essa foi a razão de Lucas cunhar a palavra “sabedoria” antes de “estatura” (Lc 2.52).

2.    Jesus crescia em estatura.

A palavra “estatura” se refere ao crescimento físico do menino Jesus, pois o texto está no contexto do desenvolvimento físico de nosso Senhor. Jesus viveu em Nazaré até os 30 anos, tinha a estatura mediana de qualquer judeu. Seu corpo era normal e saudável. Não por acaso, Jesus se desenvolveu no trabalho de carpintaria (Mc 6.1-3).

 

3.    Jesus crescia em graça diante de Deus e dos homens.

A graça para com Deus Pai tinha a ver com a consciência de Jesus quanto à sua natureza e missão (Jo 1.1,14). Essa consciência pode ser constatada no episódio em que seus pais o acharam no Templo discutindo com os doutores da Lei. Gentilmente, Ele respondeu para seus pais: “Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?” (Lc 2.49). Já a graça para com os homens tinha a ver com sua personalidade carismática, no sentido de atrair pessoas para ouvir a sua mensagem. O carisma de Nosso Senhor se revelava ao abrir a boca para falar do Reino de Deus.

 

4.    Lições importantes.

Olhando para o desenvolvimento de Jesus em sua família, podemos aprender que a educação de filhos cristãos tem a ver com o desenvolvimento emocional, social e, principalmente, espiritual. Os pais precisam ter essa consciência de que está sob a sua responsabilidade prover o ambiente propício para que os filhos se desenvolvam de maneira saudável e geral. Outro fator de destaque é a sabedoria dos pais de Jesus em não manifestar predileção pelos filhos. Por exemplo, a singeleza de Maria em “guardar tudo no coração” revela uma personalidade discreta, não precipitada e equilibrada (Lc 2.51). Equilíbrio e bom senso não podem faltar na educação dos nossos filhos.

O Senhor Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça para com Deus e os homens.

 

·       Um tempo de qualidade com os filhos por meio da leitura

 

 Não há dúvida que a leitura é o instrumento mais democrático e barato para se educar uma criança. Por isso, reproduzimos aqui mais uma sugestão do dr. John Trent, em “Bênção Lida em Voz Alta”, para que os nossos filhos se desenvolvam em sabedoria, estatura e graça para com Deus e os homens: “Uma forma como minha esposa, Cindy, costumava abençoar nossas meninas era reservando tempo para ler com elas. Embora contássemos as tradicionais histórias na hora de dormir, Cindy também descobriu várias maneiras adicionais de ler com nossas filhas algo que lhes transmitisse suas bênçãos e criasse um vínculo entre todos nós. Sou feliz em dizer que, mesmo com nossas filhas crescidas, essa tradição ainda se mantém nas viagens de carro da família Trent e quando nossas filhas estão em casa nos feriados. Aqui estão algumas maneiras de transformar a história na hora de dormir ou o período dentro do carro em momento de bênçãos para seus filhos .

 

A família de Jesus é um exemplo de boa formação familiar. A respeito dos pais, aprendemos a ser equilibrados, ponderados e não manifestar predileções pelos filhos. A respeito de filhos, nosso Senhor foi obediente e atencioso aos seus pais em todas as coisas. Que nossa família seja um ambiente propício para o desenvolvimento espiritual, emocional e social de nossos filhos!

·       Criando filhos saudáveis.

 

 Cotidianamente, tomamos conhecimentos de adultos emocionalmente abalados porque foram criados em lares onde as relações eram hostis. Estes ambientes são marcados por agressões físicas e morais entre pais, gritarias e ofensas entre irmãos, sem contar as preferências por um filho em detrimento do outro, provocando uma série de problemas de relacionamento no seio familiar. O cenário das famílias dos tempos bíblicos não era tão diferente dos atuais. Isso pode ser visto nas histórias de Abraão, Isaque, Jacó, José, Davi e muitos outros. Outrossim, o lar onde Jesus foi criado também apresentou suas dificuldades. Podemos inferir dessa maneira pelo fato de que os próprios irmãos de Jesus rejeitavam a crença de que seu irmão mais velho era o Messias prometido, esperado por Israel.

 

Apesar disso, o relato dos momentos iniciais da vida de Jesus (Lc 2.1-24) e a breve narrativa da sua adolescência (Lc 2.39-52) apontam que Cristo desenvolveu-se humanamente com características peculiares de um adolescente. O que tornava nosso Senhor tão especial era a consciência de que era o Filho Unigênito de Deus, assim como a renúncia a qualquer mínima atitude pecaminosa que pudesse comprometer Sua missão como Salvador do mundo.

 

“Como verdadeiro homem, Jesus experimentou o crescimento físico e mental. Crescia em sabedoria, conforme a graça de Deus. Era perfeito quanto à natureza humana, prosseguindo para a maturidade, segundo a vontade de Deus”.

 No que diz respeito à Sua criação, José e Maria cuidaram de prover a Jesus as condições para seu desenvolvimento físico, cognitivo e social (Lc 2.52). Ele aprendeu a profissão de carpinteiro com seu pai e exerceu a liderança do lar, cumprindo o seu papel como irmão mais velho de uma família composta por muitos filhos (Jo 19.26,27; Mc 6.3). Jesus desfrutou da companhia de seus irmãos, haja vista que residiu em Nazaré até que atingisse a idade apropriada para iniciar seu ministério terreno (Mt 12.46,47; Mc 6.1-6). Se nem mesmo o Filho de Deus se viu livre de enfrentar as intempéries da rejeição, da descrença e dos conflitos do seio familiar, quanto mais nós, seus servos, que estamos nos esforçando para preservar os valores da Palavra de Deus a fim de nutrir um ambiente saudável para o bem-estar de nossas famílias.

 A você que me acompanhou até aqui, o meu muito obrigado!

Série: Superando os desafios no seio familiar (11)

 Por: Jânio Santos de Oliveira

Pastor e professor da Igreja evangélica Assembléia de Deus em Santa Cruz da Serra

 Pastor Presidente: Eliseu Cadena

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Meus amados e queridos irmãos em Cristo Jesus, a Paz do Senhor!


 


 

Série: Superando os desafios no seio familiar

Introdução

1.    Quando a família age por conta própria.

2.    A predileção dos pais por um dos filhos.

3.    Ciúme, o mal que prejudica a família.

4.    Os Ídolos na família.

5.    O motim em família.

6.    Pais zelosos e filhos rebeldes.

7.    O relacionamento entre nora e sogra.

8.    A importância da paternidade na vida dos filhos.

9.    Uma família nada perfeita.

10.                      Quando os pais sepultam os filhos.

11.                      Os prejuízos da mentira na família.

12.                      Criando filhos saudáveis.

 


XI. Os prejuízos da mentira na família

Atos 5.1-11.

1 — Mas um certo varão chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade

2 — e reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e levando uma parte, a depositou aos pés dos apóstolos.

3 — Disse, então, Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade?

4 — Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.

5 — E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu e expirou. E um grande temor veio sobre todos os que isto ouviram.

6 — E, levantando-se os jovens, cobriram o morto e, transportando-o para fora, o sepultaram.

7 — E, passando um espaço quase de três horas, entrou também sua mulher, não sabendo o que havia acontecido.

8 — E disse-lhe Pedro: Dize-me, vendestes por tanto aquela herdade? E ela disse: Sim, por tanto.

9 — Então, Pedro lhe disse: Por que é que entre vós vos concertastes para tentar o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que sepultaram o teu marido, e também te levarão a ti.

10 — E logo caiu aos seus pés e expirou. E, entrando os jovens, acharam-na morta e a sepultaram junto de seu marido.

11 — E houve um grande temor em toda igreja e em todos os que ouviram estas coisas.

 

A história de Ananias e Safira foi marcada negativamente pela mentira que o casal proferiu no início da Igreja. Ao longo da história da igreja pós-pentecostes, no livro de Atos dos Apóstolos, um sentimento amoroso de partilha a respeito dos pobres dominava na igreja cheia do Espírito Santo. Para que os necessitados não tivessem carência, alguns dos novos convertidos, que tinham posses, negociavam suas propriedades e depositavam o dinheiro recebido junto aos pés dos apóstolos para a distribuição aos necessitados. Nesse contexto, o casal, Ananias e Safira, deixou-se dominar pela inveja e o desejo de chamar a atenção dos demais. Por isso, eles mentiram contra os apóstolos e a igreja.

Estudaremos o perigo que a mentira traz para a família cristã. Além de tragédia espiritual, ela também traz uma tragédia familiar.

I. Uma conversão duvidosa

 

1.    Por que uma conversão duvidosa?

 Porque as atitudes do casal não revelavam a transformação de vida alcançada pelo poder do Evangelho (Rm 1.16). Embora atraídos pela prática da igreja, simpáticos à causa do Evangelho, Ananias e Safira não corresponderam à obra de regeneração do Espírito Santo, ou seja, eles não foram genuinamente transformados (Jo 3.3-7). É importante enfatizar que, no início do movimento do Pentecostes, Ananias e Safira uniram-se à igreja local, passando a fazer parte dela. Entretanto, a velha natureza se revelava na hipocrisia, na cobiça e na mentira do casal.

 

2.    A comunhão na igreja de Atos.

 Em Atos dos Apóstolos, está claro que uma das caraterísticas dos primeiros dias da igreja, entre outras coisas, era a “comunhão” (At 2.42). Os convertidos a Cristo daquele tempo, advindos do grande grupo dos quase três mil novos cristãos, tinham tudo em comum, pois o Espírito Santo gerou no coração desses cristãos o amor generoso e voluntário. A marca dessa igreja era a ajuda mútua, pois seus membros vendiam suas propriedades e depositavam todo o valor arrecadado aos pés dos apóstolos. Esse dinheiro tinha o objetivo de ajudar os mais pobres de Jerusalém (At 4.34,35). Um exemplo desse “espírito” na primeira igreja foi um homem chamado Barnabé. Ele vendeu suas terras e entregou todo o dinheiro, de forma voluntária, para suprir a necessidade dos cristãos carentes (At 4.36,37).

 

3.    A inveja e a hipocrisia de Ananias e Safira.

 Quando viram o desprendimento generoso de Barnabé, Ananias e Safira encheram seus corações de inveja. No lugar de agirem de maneira generosa, eles cultivaram um sentimento carnal, tramando um plano para impressionar os apóstolos e a igreja (At 5.1,2). O plano era o seguinte: vender uma propriedade e levar o dinheiro como oferta à igreja, mas reter uma parte desse valor para eles mesmos e entregar a outra como se fosse o valor completo. Ananias e Safira fingiriam dar todo o dinheiro à igreja. É muito triste quando a hipocrisia e o engano se instalam no coração do homem. Mais trágico ainda quando essa realidade acontece no seio da família cristã. Devemos estar vigilantes, o Diabo age para desfazer a unidade do Espírito na vida da família.

 

4.    Quando a mentira e o engano enchem os corações.

Cheio do Espírito, incisivo e com autoridade espiritual, o apóstolo Pedro disse a Ananias: “Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus” (At 5.3,4). O apóstolo Pedro também tratou com a esposa de Ananias, sem ela saber que o esposo havia caído morto na presença de todos: “Por que é que entre vós vos consertastes para tentar o Espírito do Senhor?” (At 5.9a). Portanto, vemos que a mentira e o engano dominaram o coração do casal para tentar ludibriar a igreja e, consequentemente, a liderança apostólica. Ao tentar enganar a liderança local da primeira igreja, na verdade, eles mentiram contra o Espírito Santo (At 5.3), voltando-se diretamente contra Deus (At 5.4).

A igreja primitiva vivia uma verdadeira comunhão. Entretanto, Ananias e Safira dissimulava nessa comunhão com a mentira.

 

·       À sua disposição.

 

 [Ananias e Safira] Esse casal conspirou, e combinou que deveria vender suas propriedades, guardando uma parte do dinheiro, mas fingiu dar tudo, colocando o dinheiro aos pés dos apóstolos, como os outros cristãos tinham feito. A morte deles aconteceu imediatamente, não porque tivessem guardado o dinheiro, mas porque o seu ato foi uma mentira: um engano para manipular a comunidade cristã e encobrir os seus verdadeiros motivos. O mais fascinante é o fato de que, se tivessem guardado todo o dinheiro, e o tivessem investido em alguma atividade comercial […], provavelmente teriam vivido ‘felizes para sempre’. Como disse Pedro, a propriedade não deles, em primeiro lugar? O dinheiro não estava à sua disposição? (v.5) Agora, antes que você fique com a impressão errada, este não é um devocional sobre o modo de vida americano, ou uma exortação para ‘investir em riquezas’. É simplesmente uma observação de que aquilo que você ou eu temos é nosso. O que nós possuímos, possuímos. Quando temos dinheiro, ele está à nossa disposição. Os capítulos 4 e 5 de Atos não suscitam a questão do comunismo cristão, de maneira alguma. Mas esses capítulos suscitam uma pergunta. A pergunta é: nós estamos ou não à disposição de Deus?”.

 

II. O problema da mentira dentro da família

 

1.    A mentira produzida dentro da família.

Ananias e Safira imaginaram que poderiam tirar proveito do desconhecimento das pessoas da igreja sobre a artimanha de esconder a verdade sobre a venda da propriedade, mentindo com o objetivo de chamar a atenção para si mesmos (At 5.1). Isso fala a respeito de pessoas que se dizem cristãs, mas mantêm velhos hábitos da vida mundana. O Espírito Santo se entristece quando, dentro da família, esposo, esposa, filhos e filhas, ou outros membros, fazem da mentira um estilo de vida. Por isso, o apóstolo Paulo exorta a não mentir uns aos outros (Cl 3.9).

 

2. Quem faz uso da mentira está dominado pelo poder da carne. Em Gálatas, o apóstolo Paulo escreve que a carne cobiça contra o Espírito, e este se opõe à carne para que não façamos o que ela quer, ou seja, se espera dos cristãos que crucifiquem a sua carne com suas respectivas paixões, isto é, vícios da alma; assim, devemos viver dominados pelo Espírito (Gl 5.17,24,25). Toda e qualquer mentira, por mais ingênua que possa parecer, tem sua fonte no Diabo, que é o seu pai (Jo 8.44,45). Se ela domina o crente, significa que este não está mais no Espírito, mas na carne (Rm 8.1; 13.14).

O uso da mentira revela a escravidão da carne. Conjugada com a hipocrisia, a mentira traz consequências sérias para toda a família.

·       O pecado de Ananias e Safira

O pecado que Ananias e Safira cometeram não foi o da mesquinhez, por guardarem parte do dinheiro; eles tinham a opção de vender ou não a terra; e, caso decidissem vendê-la, poderiam dar quanto quisessem. O pecado deles foi mentir diante de Deus e do seu povo, dizendo que deram a quantia total, quando, na verdade, guardaram parte para si; eles mentiram, a fim de parecerem mais generosos do que realmente eram. Tal pecado foi severamente julgado, porque a desonestidade, a cobiça e a avareza são destrutivas para a Igreja, pois impede que o Espírito Santo trabalhe eficazmente. Toda mentira é ruim, mas quando mentimos para tentar enganar a Deus e a seu povo sobre o nosso relacionamento com Ele, destruímos nosso testemunho a favor de Cristo” .

 

III. Protegendo a família da mentira e da hipocrisia

 

1.    Cuidado contra os defeitos morais no lar.

Quando se permitem certos defeitos morais como a prática da mentira, do fingimento e da hipocrisia dentro de um lar, essa família está fadada ao fracasso. Semelhantemente ao que aconteceu com Ananias e Safira, no Antigo Testamento, lemos a história de uma família israelita, cujo chefe era Acã. Dominado pela cobiça e pela hipocrisia, ele furtou certos objetos da cidade de Jericó, considerados amaldiçoados e que, por isso, Israel não deveria tomar como despojo. Esse pecado de desobediência trouxe maldição para todo o povo. A ira do Senhor se acendeu contra Acã e toda a sua família (Js 7.1).

2.    Precisamos agir contra a hipocrisia e a mentira.

Ninguém está livre de se achar dominado pelas mesmas hipocrisias e mentiras que se acharam no casal Ananias e Safira. Por isso, a Bíblia nos ensina que não podemos trocar a verdade de Deus pela mentira, como fazem as pessoas dominadas pelo pecado (Rm 1.25). Aos servos de Deus cabe fazer um autoexame diante dEle contra a hipocrisia (Mt 7.3,5). Sim, a consequência direta da mentira é a hipocrisia. Esses dois vícios são obras carnais que podem dilacerar uma família.

3.    Não deixe o Inimigo agir na família.

 O versículo 3 diz: “Ananias, por que encheu Satanás o teu coração? […]”. É indiscutível que Satanás age ativamente na Terra e, especialmente, contra as famílias da Igreja de Cristo. Ele trabalha contra essa importante instituição, investindo contra os seus membros. Infelizmente, como Ananias, há muitos que permitem a Satanás encher seus corações para desestabilizar a família. Por isso, cabe-nos estar em oração e vigilância (Mt 26.41). Então, podemos fazer o que a Bíblia diz: “Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7).

É preciso estabelecer uma camada de proteção na família cristã

Como aconteceu com Ananias e Safira, que foram punidos pelo Senhor com morte instantânea, membros da família, que praticam a mentira, podem experimentar consequências gravíssimas por causa dessa prática. A Bíblia diz que a Igreja é a coluna e a firmeza da verdade (1Tm 3.15). Portanto, ainda que, num primeiro momento possa parecer difícil, o caminho da verdade sempre é o melhor.

 

·       Os prejuízos da mentira na família.

 

 A mentira é um pecado que produz problemas graves para o relacionamento com Deus e o próximo. Quando descoberta, compromete a credibilidade e a confiança na integridade do praticante. As Escrituras asseveram que “mais digno de ser escolhido é o bom nome do que as muitas riquezas; e a graça é melhor do que a riqueza e o ouro” (Pv 22.1). A mentira compromete a imagem de quem a profere, haja vista que o mentiroso, seja na família, na igreja, no trabalho ou entre amigos pode causar prejuízos materiais e imateriais em razão da sua conduta. A mentira de Ananias e Safira sobre o valor entregue aos apóstolos recebeu a reprimenda divina. O aspecto da motivação é considerado nesse episódio. Primeiramente pelo fato de que não há nada que fique escondido aos olhos de Deus (Hb 4.13). Ele esquadrinha o coração do homem e prova seus pensamentos para dar a cada um conforme suas obas (Jr 17.10). Deus sabia que a motivação quanto à entrega do valor adulterado tratava-se não apenas de materialismo ou avareza, mas perversidade de um coração não convertido e sem temor para mentir não aos homens, mas ao Espírito Santo.

 

Mais do que conduta inapropriada ou mesmo atitude isolada, a mentira de Ananias e Safira era sistemática. O casal intencionalmente planejou se comportar indignamente contra a Obra de Deus. Infere-se que tratava-se de um hábito contumaz e vicioso do casal no tocante a lidar com questões espirituais. “Deus feriu com severidade a Ananias e Safira (vv.5,10) para que se manifestasse Sua aversão a todo engano, mentira e desonestidade no Reino de Deus. Um dos pecados mais abomináveis na igreja é enganar o povo de Deus no tocante ao nosso relacionamento com Cristo, trabalho para Ele e a dimensão do nosso ministério. Entregar-se a esse tipo de hipocrisia significa usar o sangue derramado de Cristo para exaltar e glorificar o próprio ‘eu’ diante dos outros. Esse pecado desconsidera o propósito dos sofrimentos e da morte de Cristo (Ef 1.4; Hb 13.12) e revela ausência de temor do Senhor (vv.5,11) e de respeito e honra ao Espírito Santo (v.3), e merece o justo juízo de Deus”. Façamos autoexame quanto às intenções de nosso coração e quais medidas devemos tomar para nutrir ações que expressem o desejo sincero de andar no Espírito e não cumprir a vontade da carne.


 Próxima matéria: Criando filhos saudáveis

Série: Superando os desafios no seio familiar (10)

 Por: Jânio Santos de Oliveira

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Série: Superando os desafios no seio familiar

Introdução

1.    Quando a família age por conta própria.

2.    A predileção dos pais por um dos filhos.

3.    Ciúme, o mal que prejudica a família.

4.    Os Ídolos na família.

5.    O motim em família.

6.    Pais zelosos e filhos rebeldes.

7.    O relacionamento entre nora e sogra.

8.    A importância da paternidade na vida dos filhos.

9.    Uma família nada perfeita.

10.                      Quando os pais sepultam os filhos.

11.                      Os prejuízos da mentira na família.

12.                      Criando filhos saudáveis.

 

X.  Quando os pais sepultam os filhos

Jó 1.13,16-19.

13 — E sucedeu um dia, em que seus filhos e suas filhas comiam e bebiam vinho na casa de seu irmão primogênito.

16 — Estando este ainda falando, veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu; e só eu escapei, para te trazer a nova.

17 — Estando ainda este falando, veio outro e disse: Ordenando os caldeus três bandos, deram sobre os camelos, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada; e só eu escapei, par te trazer a nova.

18 — Ainda este falando veio outro e disse: Estando teus filhos e tua filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogênito,

19 — eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre os jovens, e morreram; e só eu escapei, para te trazer a nova.

 

O patriarca Jó era um homem próspero, tinha uma família feliz e desfrutava de razoável segurança. Sua esposa era mulher dedicada à sua casa e tudo parecia dentro da normalidade, até que a tragédia familiar se abateu sobre a sua casa. Nesta lição, estudaremos a respeito da morte dos filhos de Jó e como a família do patriarca passou por essa tragédia. Veremos que a experiência de os pais sepultarem os filhos talvez seja a experiência mais dolorosa da vida humana e, ao mesmo tempo, como podemos encontrar na Bíblia, a Palavra de Deus, consolo diante desse quadro.

I. A família de jó

 

1.    Quem era Jó? O patriarca Jó nasceu no Norte da Arábia, na terra de Uz.

 As pesquisas dizem que ele viveu numa época anterior a de Moisés, antes mesmo de Abraão, entre os séculos 25 e 28 a.C. Naquele tempo, a longevidade humana era maior que a atual, o que explica a sobrevida de 140 anos do patriarca (Jó 42.16). Mais especificamente, ele nasceu depois do dilúvio (Jó 22.16) e tornou-se um homem rico e próspero (Jó 1.3; 42.12). Seu caráter santo foi testemunhado pelo próprio Deus: homem sincero, reto, justo, temente a Deus e, por isso, “se desviava do mal” (Jó 1.8).

 

2.    A esposa de Jó.

Tudo o que se sabe a respeito da esposa de Jó é o que está registrado no capítulo 2 do livro. Ela ganhou a fama de uma mulher insana e ambiciosa por causa da perda de todos os bens materiais e dos filhos que foram mortos por uma tragédia. Ainda, Jó foi vítima de feridas purulentas, das quais ela teve repugnância. Todavia, fazia o seu papel de esposa, não abandonando o patriarca. Indiscutivelmente, a esposa de Jó foi perdendo a paciência diante da provação do seu esposo. Seu desespero afetou sua fé, a ponto de levá-la a declarar para o seu marido: amaldiçoa a Deus e morre (Jó 2.9). Ela teve 10 filhos com Jó, e como não se deixou influenciar pela proposta desesperada de sua esposa, o patriarca suportou tudo até que Deus virasse a sua sorte e transformasse o mal em bênção.

 

3.    Os filhos de Jó.

Jó estava atento ao modo de viver de seus filhos. Estes tinham uma rotina social de banquetes, muita comida e bebida. A Bíblia mostra que o pai apresentava sacrifícios a Deus por seus filhos, e orava por eles todos os dias, ou seja, havia zelo e cuidado do patriarca para o bem-estar espiritual de seus filhos (Jó 1.4,5).

Jó era um homem bem-sucedido, era casado e tinha muitos filhos. Em todas as áreas o patriarca era próspero.

 

II. Lidando com a morte dentro da família

 

1.    Jó e sua esposa foram surpreendidos pela morte dos filhos.

 Os versículos 18 e 19 relatam o momento em que a notícia da morte de seus filhos chega à casa de Jó. Quando tudo parecia normal, a morte os surpreendeu. Todos os seus filhos morreram. Deus não nos criou para morrer, mas a morte é uma maldição advinda do pecado e só o Senhor Jesus foi capaz de cravar essa maldição no lenho de sua cruz no Calvário (1Co 15.55,56). Assim, todos ficamos perplexos diante da morte e, principalmente, quando envolve alguém próximo a nós. Por isso, a Palavra de Deus nos mostra que devemos estar conscientes quanto à realidade da morte. Não temos domínio nenhum sobre ela. Entretanto, a nossa confiança está em Cristo e, por causa de sua ressurreição, podemos afirmar que a morte não nos reterá na sepultura, mas servirá de meio para adentrar à vida eterna com o nosso Salvador (Jo 5.24).

 

2.    Razões para a tristeza do luto de Jó e de sua mulher.

De certo modo, Jó tinha uma família feliz (Jó 1.1-5). Nesse contexto, Satanás desafiou a fidelidade dele e o atacou frontalmente com a morte de seus filhos (1.13-18; 2.1-6). A Bíblia não fala do sepultamento dos filhos de Jó, mas certamente ele aconteceu. É importante ressaltar que uma perda como essa traz uma tristeza imensa. A Palavra de Deus diz que há tempo para tudo: Há tempo de sorrir e há tempo de chorar (Ec 3.4). A tristeza e o choro passaram a fazer parte da família de Jó, outrora feliz e próspera.

 

3.    Fidelidade ao Senhor em meio à dor.

O capítulo 1 de Jó mostra a reação do patriarca diante da notícia trágica da morte de seus filhos: Jó rasgou o manto, rapou a cabeça, lançou-se em terra e adorou ao Senhor (Jó 1.20). Isso mesmo: Jó adorou a Deus. Aqui, ele iniciou o processo de aceitação do ocorrido diante do Senhor da vida. Essa passagem bíblica nos mostra que a dor da perda não passa, mas o processo de aceitação torna o luto mais digno. Por isso, o patriarca pôde dizer em atitude de adoração: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1.21). Ainda, o texto bíblico diz que Jó em tudo não pecou nem atribuiu a Deus falta alguma (Jó 1.22).

Jó e sua esposa foram surpreendidos pela morte de seus filhos e tiveram que viver esse momento de dor.

 

·       O sofrimento imerecido.

 

 “Jó desejava que um árbitro decidisse sobre o golpe que ele levara, mas ele não encontrou nenhum (9.33). Os bens levados e os filhos mortos, Jó não fez nada para merecer o que recebeu. O primeiro versículo do livro de Jó declara que Jó era um bom homem que tinha uma boa vida. Os dois primeiros capítulos explicam que a pergunta por quê? só é respondida no céu. Jó chamava a Deus apenas para ouvir o eco de suas palavras. Seu brado no capítulo 360 brado de todo ser humano: o que eu fiz para merecer isso? O sofrimento imerecido é a principal razão pela qual muitos rejeitam a crença a Deus. Se Jó é o livro mais antigo da Bíblia (como muitos estudiosos afirmam), então Deus abordou o problema cedo e de frente”.

 

III. Os cristãos e o luto

1.    Não culpe a Deus.

Não é muito difícil de, nos momentos de perdas inesperadas, o ser humano se desesperar e passar a blasfemar contra Deus. Não é isso que aprendemos com Jó (cf. Jó 1.21,22). O antigo patriarca nos ensina a viver a confiança em Deus mesmo no momento delicado da morte inesperada de um ente querido. Nem sempre saberemos o motivo da morte de uma pessoa amada ou de um determinado sofrimento. Há mistérios na vida que não conseguimos desvendar na Terra (Dt 29.29). O próprio livro de Jó não revela por que os seres humanos sofrem. O que o livro nos ensina e encoraja é suportar o sofrimento com paciência, achando-se fiel nos caminhos do Senhor diante do processo de um sofrimento imerecido. Haverá um dia que tudo estará patente diante de nossos olhos (1Co 13.12).

 

2.    Vivendo o luto.

Com o patriarca Jó, aprendemos que o crente em Jesus não deve ser indiferente ao luto, pois, psicologicamente, isso não é saudável. Como seres humanos, devemos manifestar as emoções próprias de um momento de luto, tais como: o choro, o silêncio, a compenetração. Diante da dor da família de Lázaro, nosso Senhor agitou-se no espírito, comoveu-se e chorou (Jo 11.35).

 

3.    Mantenha a esperança.

Vimos que é saudável manifestar emoções próprias do período de luto, mas também é verdade que o crente não deve se desesperar como quem não tem esperança (1Ts 4.13). É preciso levar em conta que o período do luto dura em média seis meses. Se após esse período, a pessoa não consegue voltar às atividades normais é preciso buscar ajuda especializada, pois isso não é saudável. Esse cuidado é coerente com a fé cristã que proclama a esperança de vida porque nosso Senhor ressuscitou no terceiro dia, vencendo a morte. Portanto, a Palavra de Deus traz consolo e conforto para a alma enlutada (2Co 13.5). Um dia, brevemente, estaremos para sempre com a pessoa querida que partiu em Cristo (1Ts 4.14-18).

No período do luto, o cristão não deve culpar a Deus, mas, em Cristo, manter viva a esperança.

 

·       A fé sobrevive ao sofrimento.

 

 “Muitos pensam que, por crerem em Deus, Ele os livra dos problemas. Assim, quando ocorrem as calamidades, questionam a bondade e a justiça divinas. Mas a mensagem de Jó é que não desistamos de Deus quando Ele permite que tenhamos experiências ruins. A fé em Deus não garante prosperidade pessoal, e a falta de fé não é sinônimo de problemas nesta vida. Se assim fosse, as pessoas creriam em Deus apenas para enriquecimento próprio. Deus é capaz de nos resgatar do sofrimento, mas pode também permitir que o sofrimento ocorra por motivos além da nossa compreensão. A estratégia de Satanás é fazer com que duvidemos de Deus neste exato momento. Aqui Jó mostra uma perspectiva maior que a busca de seu conforto pessoal. Se sempre soubermos os motivos de nossos sofrimentos, nossa fé não terá espaço para crescer”.

Sem dúvida, a morte é uma experiência muito dolorosa para o ser humano. A de um filho, então, tem uma sobrecarga psicológica imensa. A dimensão da dor da perda de um pai e de uma mãe é incalculável. Por isso, é importante que levemos em conta esta declaração do salmista: “Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Sl 73.26 — NAA). No processo do luto, não devemos culpar a Deus, mas manter firme a nossa esperança nEle. O Senhor Jesus venceu a morte e ressuscitou ao terceiro dia. Essa é uma verdade consoladora e, ao mesmo tempo, esperançosa. Portanto, nesse momento, é tempo de confiar em Deus.

 

·       Quando os pais sepultam seus filhos.

 

A morte é um dos maiores desafios enfrentados pela humanidade. É uma etapa natural da vida, porém a mais difícil de ser enfrentada, porquanto se trata de aceitar a perda. Nenhum ser humano nasceu preparado para perder. Essa é uma lição que se aprende ao longo da vida e a perda para a morte talvez seja a mais dolorosa. A história de Jó é um dos exemplos mais emblemáticos de como é possível o ser humano lidar com a morte e os impactos que ela traz para toda família. No caso de Jó, ele era um homem farto de recursos, próspero financeiramente e espiritualmente. Ele tinha muitos criados à disposição e muitas propriedades. Além disso, Deus ratifica que Jó não era uma pessoa qualquer, antes se tratava de um servo sincero, reto, justo, temente a Deus e que sempre se desviva de tudo aquilo que desagradasse o Criador. Apesar de todos os recursos, Jó e sua esposa foram surpreendidos com a perda de rebanhos, morte de empregados e, sobretudo, com a morte de seus dez filhos (Jó 1.18,19).

 

Como pai piedoso, Jó tinha zelo pelo bem-estar espiritual de seus filhos. Vivia atento à conduta e ao modo de vida deles, orando a Deus para que os protegesse do mal e que experimentassem da parte de Deus a salvação e suas bênçãos. Jó exemplifica o pai de coração voltado para os filhos, dedicando-lhes tempo e atenção necessários para mantê-los afastados do pecado. Mas, apesar de ser extremamente cuidadoso para com a família, Deus permitiu que o mal alcançasse exatamente o que o patriarca mais zelava. Foi enorme a dor que ele teve de enfrentar com a morte dos filhos. Ele é um exemplo aos servos de Deus que enfrentam a mesma adversidade atualmente. O que se sabe pela história de Jó é que ele aprendeu a aceitar a soberana vontade de Deus apesar de tamanha dor e experimentou da restituição divina em todas as áreas em que o Senhor o havia provado.

 

O maior desafio de lidar com a morte não é sua previsibilidade ou mesmo o evento devastador da morte em si, acompanhado de velório extremamente difícil, doloroso e melancólico. O momento mais difícil é ter de lidar com a ausência do ente querido. A morte provoca um vazio inexplicável que somente os órfãos, viúvos e pais que perdem seus filhos sabem expressar, quando conseguem. Só o consolo do Espírito fortalece o coração nesta hora tão difícil.


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